As mulheres tem um risco maior que os homens de sofrer lesão ligamentar do joelho?


Sabe-se que as mulheres apresentam um risco de lesão do ligamento cruzado anterior do joelho maior do que o dos homens. Os homens, em número absoluto, são mais lesionados e mais submetidos à cirurgia. Porém, as mulheres que praticam o mesmo tipo de esporte que os homens sofrem proporcionalmente mais lesões. Mas por que isso acontece? Porque a mulher tem um risco maior desse tipo de lesão? Essa resposta não é simples mas acredita-se que isso aconteça por uma união de vários fatores.


Para explicar essa diferença do risco entre homens e mulheres, existem alguns fatores que são sempre discutidos. Um deles é o fator hormonal presente nas mulheres. Alguns artigos encontraram um maior número de lesões do ligamento cruzado anterior nas mulheres durante a fase ovulatória do seu ciclo menstrual. É provável que a alteração no nível dos hormônios altere não só a histologia ligamentar como também a biomecânica corporal, deixando a mulher mais sujeita a esse tipo de lesão. A partir dessa informação, alguns estudos tentam identificar se as mulheres que fazem uso de anticoncepcionais para regularização do ciclo, apresentam menor risco de lesão, já que não ocorrem as alterações hormonais. No entanto, essas informações ainda são contraditórias, não havendo uma recomendação específica nesse sentido.


Um outro fator que explica essa diferença é o fator anatômico. As mulheres apresentam uma área menor dentro do joelho, e isso deixaria o ligamento cruzado anterior mais sujeito à lesão. Apesar disso não ser um consenso, esse fator também é levado em consideração ao explicar o risco maior de lesão em mulheres. E esse fator é intrínseco e não modificável. Ou seja, o médico, o fisioterapeuta ou o educador físico que esteja acompanhando a atleta não consegue intervir nesse fator para diminuir o risco de lesão.


Atualmente, outro fator muito discutido para tentar explicar essa diferença de lesões entre homens e mulheres é o fator neuromuscular. As mulheres apresentam um padrão de ativação muscular diferente dos homens. Estudos mostraram que as mulheres demoram mais a atingir a contração muscular máxima para estabilizar o joelho. Portanto, é como se o joelho ficasse mais tempo sujeito à lesão até conseguir se estabilizar. Além disso, quando o joelho apresenta uma tendência à anteriorização da tíbia (mecanismo de lesão do ligamento cruzado anterior), deveria ocorrer primeiramente a contração da musculatura posterior (flexores) em uma tentativa de estabilizar o joelho. No entanto, nas mulheres, muito mais do que nos homens, ocorre primeiro a contração da musculatura anterior (quadríceps) ao invés da musculatura posterior. Apesar desse fator ser intrínseco as mulheres, provavelmente é um fator que o educador físico e o fisioterapeuta conseguem alterar através de um bom treinamento físico.


Portanto, são vários fatores que explicam o risco aumentado de lesão em mulheres. Mas com um conhecimento cada vez maior desses fatores, é provável que a prevenção dessas lesões se torne cada dia mais eficaz. Nesse sentido, não só para as mulheres mas para os atletas em geral, o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e o trabalho de treinamento físico é de extrema importância.


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