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Tudo sobre a tão temida lesão do ligamento cruzado anterior

  • 21 de mai.
  • 4 min de leitura
lca rompido

Este guia foi desenvolvido para ajudar você a entender melhor a lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), desde o momento do trauma até as etapas de recuperação. Se você sentiu um estalo no joelho ou recebeu esse diagnóstico recentemente, saiba que esta é uma das lesões ortopédicas mais estudadas e, com o tratamento correto, o retorno às atividades normais é plenamente possível.

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O que é o Ligamento Cruzado Anterior e qual sua função?

O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é uma estrutura fibrosa e resistente localizada no centro da articulação do joelho. Ele conecta o osso da coxa (fêmur) ao osso da perna (tíbia), cruzando-se com o Ligamento Cruzado Posterior (LCP) para formar um "X" que mantém o joelho estável.

Sua função principal é impedir que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur, além de fornecer estabilidade rotacional, especialmente em movimentos de giro. O LCA possui cerca de 38 mm de comprimento e é composto por duas bandas principais:

  • Banda Anteromedial: Fica mais tensa quando o joelho está dobrado (flexão).

  • Banda Posterolateral: Fica mais tensa quando o joelho está esticado (extensão), controlando a estabilidade rotacional.

Além da função mecânica, o LCA possui nervos que informam ao cérebro sobre a posição do joelho, um mecanismo chamado propriocepção.

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Como ocorre a lesão? Causas e Mecanismos

A ruptura do LCA é comumente associada à prática de esportes que envolvem mudanças bruscas de direção, como futebol, basquete, vôlei e esqui. Curiosamente, a maioria das lesões (cerca de 70% a 80%) ocorre sem contato direto com outro jogador.

Os mecanismos mais frequentes incluem:

  • Torção com o pé fixo: O corpo gira enquanto o pé permanece travado no chão.

  • Hiperextensão: O joelho é forçado além da sua capacidade de esticar.

  • Desaceleração brusca ou aterrissagem incorreta: Comum após um salto.

O Fator de Gênero

Estudos indicam que mulheres atletas têm um risco significativamente maior (de 4 a 7 vezes mais) de romper o LCA em comparação aos homens. Isso ocorre devido a uma combinação de fatores:

  1. Anatômicos: Pelve mais larga e ligamentos naturalmente mais frouxos.

  2. Neuromusculares: Tendência a aterrissar com os joelhos voltados para dentro (valgo dinâmico) e maior dominância do quadríceps sobre os isquiotibiais.

  3. Hormonais: Hormônios como a relaxina, presentes no ciclo menstrual, podem tornar os ligamentos temporariamente mais elásticos e frágeis.

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Sintomas: Como identificar um rompimento de LCA?

No momento da lesão, os sinais costumam ser bastante claros. A maioria dos pacientes relata:

  1. O "Estalo" (Pop): Um som ou sensação audível de rompimento dentro da articulação.

  2. Dor Aguda: Geralmente impede a continuação da atividade imediata.

  3. Inchaço Imediato: Ocorre nas primeiras horas devido ao sangramento interno (hemartrose).

  4. Instabilidade (Falseio): A sensação de que o joelho está "frouxo" ou que vai sair do lugar ao tentar caminhar ou mudar de direção.

  5. Perda de Movimento: Dificuldade para dobrar ou esticar completamente a perna.

(Saiba mais sobre como identificar lesões de menisco que frequentemente ocorrem junto com o LCA).

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Diagnóstico Médico e Exames

Se você suspeita de uma lesão, o primeiro passo é o exame físico com um especialista. O médico utiliza manobras específicas para testar a firmeza do ligamento:

  • Teste de Lachman: É considerado o teste mais sensível. O médico puxa a tíbia para frente com o joelho levemente flexionado.

  • Teste de Gaveta Anterior: Realizado com o joelho dobrado a 90 graus.

  • Teste de Pivot-Shift: Avalia a estabilidade rotacional, mimetizando o falseio que o paciente sente.

Embora o diagnóstico possa ser feito clinicamente, a Ressonância Magnética (RM) é o padrão-ouro para confirmar a ruptura e identificar lesões associadas. É importante notar que entre 50% a 70% das rupturas de LCA vêm acompanhadas de lesões nos meniscos ou na cartilagem.

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Opções de Tratamento: Cirurgia ou Fisioterapia?

A decisão entre operar ou não é individualizada, baseada na idade, nível de atividade física e presença de instabilidade no dia a dia.

Tratamento Não Cirúrgico (Conservador)

Indicado para pacientes idosos, sedentários ou com rupturas parciais que não causam falseio. O foco é o fortalecimento intensivo da musculatura (especialmente os isquiotibiais) para compensar a falta do ligamento e o treino de equilíbrio (propriocepção). Vale lembrar que um LCA rompido raramente cicatriza sozinho.

Tratamento Cirúrgico (Reconstrução)

Recomendado para jovens, atletas ou pessoas que sentem o joelho falhar nas atividades diárias. A cirurgia consiste em substituir o LCA rompido por um enxerto, que servirá de base para o crescimento de um novo ligamento.

Os tipos de enxerto mais comuns são:

  • Tendões Flexores (Isquiotibiais): Retirados da parte de trás da coxa; menor dor pós-operatória na frente do joelho.

  • Tendão Patelar: Retirado da frente do joelho com pequenos blocos de osso; oferece cicatrização osso-com-osso mais rápida, mas pode causar dor ao ajoelhar.

  • Tendão Quadricipital: Uma opção robusta e moderna, retirada de cima da patela.

  • Aloenxerto: Tecido de banco de tecidos (cadáver), usado em casos de revisões ou múltiplas lesões.

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O Processo de Recuperação e Reabilitação

A cirurgia é apenas metade do caminho; a fisioterapia é essencial para o sucesso do tratamento.

Fase Pré-Operatória

Muitas vezes, a cirurgia não é feita imediatamente. O ideal é esperar o joelho desinchar e recuperar a amplitude de movimento (geralmente 3 a 6 semanas após a lesão) para evitar a rigidez articular (artrofibrose).

Fase Pós-Operatória e Prazos

  • Semanas 1-4: Foco em controlar a dor, desinchar o joelho e recuperar a extensão total (esticar a perna). O uso de muletas é comum por 2 a 4 semanas.

  • Meses 2-4: Fortalecimento muscular progressivo e treino de marcha.

  • Meses 5-9: Introdução de corridas, saltos e exercícios específicos da modalidade esportiva.

  • Retorno ao Esporte: Geralmente ocorre entre 9 a 12 meses. Estudos mostram que voltar antes dos 9 meses aumenta significativamente o risco de uma nova ruptura.

Para uma recuperação segura, o paciente deve passar por testes funcionais que comprovem que a força da perna operada está próxima (pelo menos 90%) da perna saudável.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Posso andar com o LCA rompido? Sim, após a fase aguda de dor e inchaço, muitas pessoas conseguem caminhar. No entanto, o joelho permanece instável para atividades que envolvam giros ou saltos.

2. O que acontece se eu não operar? A longo prazo, a instabilidade recorrente pode causar novas lesões nos meniscos e acelerar o desgaste da cartilagem, levando à artrose precoce.

3. Qual o tempo de duração da cirurgia? A reconstrução por videoartroscopia dura, em média, de 40 a 60 minutos.

4. Como prevenir uma nova lesão? Programas de treinamento neuromuscular e pliométrico, como o FIFA 11+, são altamente eficazes para ensinar o corpo a aterrissar e girar com mais segurança.


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Dr. Lauro Costa é médico ortopedista em São Paulo, especialista em cirurgia do joelho, com formação na Santa Casa de São Paulo, e hoje atua nos melhores hospitais de São Paulo - SP.

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